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September 12, 2006
Club Composure
Quantas vezes vou precisar passar por situações como a de sexta-feira passada para me lembrar que um club de lapdancing tradicional não é um mundo no qual não me encaixo?
Club Composure em Watford, ao norte de Londres, onde cheguei a trabalhar algumas vezes há 3 anos atrás quando era a Promises - uma das agências de striptease londrinas- que enviava 5 a 12 meninas para o lugar e na época lembro que fazia até um dinheiro. Curiosa da saber como as coisas andavam por lá agora resolvi aceitar quando essa agência me ofereceu uma vaga e lá fui tentar a sorte.
Fiasco e tédio das 9 às 2 da manhã. O lugar mudou e as danças são disputadas por quase 20 garotas num lugar pequeno e até relativamente movimentado, mas não lotado; a mulhereda, entre inglesas e meninas do leste europeu, trabalhavam todas diretamente e exclusivamente para o club(com exceção de mim e uma outra) , a maioria bem jovem mas com aquele ar de já super experiente no business, todas de copo de vinho na mão, todas atiradíssimas. Quase não acontecia danças no pequeno palco circular no meio da sala principal e nem me importei por o DJ não ter me chamado para fazer meu show. Pra quê desperdiçar minhas belas pernas? Os clientes mal olhavam para o que se passava no palco . O forte dali era mesmo a esfregação pesada que rolava na outra sala, a de dança privada, um cubículo retangular com cerca de 12 pequenos sofás. E é aquela visão ao mesmo tempo orgiástica e ridícula, de uma dezena de garotas nuas a rebolar freneticamente em cima de marmanjos vestidos e imovéis, que pagam 20 libras por 4 minutinhos de simulação de sexo.
Não que eu tenha feito parte dessa cena com tanta frequência assim nessa noite: fiz a quantidade miserável de 4 delas, um resultadao tão lamentável que esperei todas as meninas prestarem conta à gerente no final do turno e fui a última , pois se paga uma comissão de 20% em cima do lucro , sendo 30 libras pagas na chegada e a diferença no fechamento. Como fiz abaixo do mínimo, nem diferença tive de pagar.
Uma vergonha mas sabe que surpreendentemente não me abalei nem um pouco com o insucesso. A verdade é que não consegui entrar no clima em nenhum momento e não forcei a própria barra bebendo. Sentia-me distanciada do que acontecia, como se aquilo fosse um filme do qual eu não me importava em participar e ao qual assistia entediada mas sem julgar.
Claro que não foi a atitude perfeita; se eu fosse mais senhora de mim mesma e mais decidida teria era deixado de frescura e dançado conforme a música, indo à luta e fazendo o meu trabalho sem pensar muito, que é mesmo o de dançar nua para homem ver de acordo com a regra de onde eu estiver. Só que sendo como eu sou, passiva, conformada, introvertida, sensível e orgulhosa, nem sempre é fácil me transformar na OUTRA, na gostosinha atrevida.
Posted by Maya Velvet at September 12, 2006 04:14 PM
Comments
maya, esse biz, que nunca foi bom (a grana já foi, mas o biz não) esta ficando cada vez pior. comece a se preparar mentalmente para largar isso, que não dá futuro pra ninguém.
Posted by: patricia at September 15, 2006 08:17 AM
Vc já não acha que está chegando (ou até mesmo já passou) da hora de vc largar o Strip? You do not sound comfortable with this situation. :(
Posted by: JiM at September 17, 2006 05:04 PM
Essa situação que eu descrevi acima não é a realidade dos lugares em que normalmente eu trabalho; se fosse eu já teria parado há muito tempo. Nunca foi a minha fazer dança privada e hoje em dia só trabalho nos lugares onde ou haja striptease só no palco ou onde se por acaso aconteça as malditas lap dances, elas sejam um extra da performance do palco.. Antigamente havia muitos bares de stripping em Londres em que era palco somente, poucos persistem infelizmente e nesses aí sinto-me em casa. Sei que é chegado o momento de largar essa vida mas por enquanto isso não foi possível ainda e tenho a sorte de ainda conseguir bastante trabalho nos lugares onde curto dançar.
Posted by: Maya at September 17, 2006 06:14 PM